Slow Food: por uma alimentação de qualidade

Na metade do século passado, em meio à recuperação econômica mundial impulsionada tanto pelo fim da guerra quanto pelas novas tecnologias advindas da corrida armamentista, pairava sobre o planeta a sensação de que não havia mais tempo a perder. Todos simplesmente queriam trabalhar em paz, prosperar, e ter algum tempo para curtir a vida.

Indústrias como turismo e entretenimento ganhavam novo fôlego, esportes reassumiam o papel de empolgar multidões e grandes cidades voltavam a inchar. Periferias cresciam, aumentando com elas a distância entre moradia e trabalho, bem como o tempo gasto com transporte. Diversos hábitos tradicionais começavam a cair no esquecimento, e todo um modo de vida era agora questionado.

No centro desta agenda estava, entre outras implicações, a própria relação entre o homem e seus alimentos.

O fast food é o reflexo de uma vida estressante e desregulada, onde impera a dinâmica acelerada da modernidade.

Sem a possibilidade de almoçar em casa, o trabalhador médio passou a ter que comer na rua, mas não nos restaurantes tradicionais. A despesa diária e o curto espaço de tempo não combinam com refeições caras, rebuscadas ou de preparo demorado. É quando proliferam os restaurantes de alta rotatividade e poucas opções de prato, e depois os self-services.

Por fim, com o pipocar das franquias de lanchonetes e o desenvolvimento de conservantes cada vez mais agressivos, sedimenta-se o conceito da fast food, síntese maior da pressa capitalista. Um conceito que atinge, igualmente, a enormidade de alimentos industrializados nas prateleiras dos supermercados.

A ideia de uma alimentação rápida, padronizada e barata – encarada quase que como um problema diário a ser resolvido – obviamente jamais alcançou status de unanimidade, especialmente em culturas mais apegadas a tradições. No entanto, é inegável seu sucesso comercial. Atualmente, raras são as cidades médias em países ditos desenvolvidos que não possuam representações de uma ou mais gigantes do ramo.

Há, no entanto, quem veja a proliferação da fast food com bons olhos, mesmo entre seus críticos mais ferrenhos. Afinal, foi apenas através dela que se tornou possível fazer o contraponto, e avaliar com nitidez o tipo de escolha que estava em jogo. Com propriedade, talvez jamais tenha havido uma época de pessoas mais conscientes acerca da importância de uma refeição saudável, sem pressa e em família, do que a atual. Ainda, é claro, que este grupo de pessoas não represente a totalidade da população.

A filosofia slow food – simpática à agricultura sustentável e orgânica, à diversidade gastronômica e à vida com mais qualidade e menos pressa –, surgiu em 1989, e nasceu “como resposta aos efeitos padronizantes do fast food; ao ritmo frenético da vida atual; ao desaparecimento das tradições culinárias regionais; ao decrescente interesse das pessoas na sua alimentação, na procedência e sabor dos alimentos e em como nossa escolha alimentar pode afetar o mundo” – conforme explica o site oficial da associação no Brasil. O mesmo acrescenta: “O Slow Food segue o conceito da ecogastronomia, conjugando o prazer e a alimentação com consciência e responsabilidade, reconhecendo as fortes conexões entre o prato e o planeta”.

O Slow Food é uma associação internacional sem fins lucrativos fundada em 1989 .

Sob todos os aspectos citados, a Pinheirense pode se orgulhar de ter antecipado a filosofia slow food em terras brasileiras, e de ter se mantido fiel aos mesmos princípios desde sua fundação, no distante ano de 1937. Jamais abrindo mão de seus produtos integrais e sem conservantes – mesmo quando isso poderia representar uma significativa expansão dos postos de vendas -, a empresa sempre firmou parcerias de longo prazo e colocou a busca por qualidade acima dos próprios interesses comerciais.

Nada que pudesse ser diferente. Afinal, trata-se de uma empresa familiar, que há mais de 70 anos compartilha dos mesmos valores e crenças de seus clientes.

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