Osteoporose: um cuidado para a vida toda

A osteoporose é uma doença relacionada à progressiva diminuição da renovação óssea, e se manifesta em todas as pessoas – em maior ou menor grau – com o avançar da idade. Para compreendê-la, antes é preciso lembrar que os ossos são estruturas maciças, como a aparência sugere, e o esqueleto não é apenas uma base de sustentação, mas antes um órgão vivo com diversas funções no organismo.

Com o intuito de evitar que pequenos traumas inerentes à movimentação corporal se acumulem, tornando os ossos mais frágeis e suscetíveis a fraturas, o esqueleto vive em constante renovação. Ocorre que, com o tempo, o corpo passa a absorver menos minerais, e passa a ter mais dificuldades para repor a substância óssea. Como resultado, estes se tornam porosos e menos resistentes. Em casos realmente extremos, o próprio peso corporal pode vir a causar fraturas espontâneas.

A respeito da prevenção, a sabedoria popular fala em consumir bastante cálcio, não apenas através do leite e seus derivados, mas também fazendo uso de suplementos específicos. O ortopedista José Luiz Silva, no entanto, tem uma visão bastante pragmática sobre este assunto. “A osteoporose, como ademais qualquer doença, deve ser acompanhada por um médico especializado, pois cada paciente apresenta um quadro bastante específico e deve ser tratado conforme suas peculiaridades. No entanto, se nós pensarmos naquilo que seria um brasileiro médio, meus conselhos seriam basicamente três: manter uma rotina de exercícios compatíveis com a idade e a condição física; tomar sol nos horários mais seguros; e evitar tombos ou choques acidentais.”

– A alimentação do brasileiro já é naturalmente rica em cálcio, e se você examinar a população, verá que a maioria dos brasileiros já possui níveis acima ou muito próximos da capacidade máxima de absorção corporal. O problema, portanto, não é este. Por sua vez, o tratamento com calcitonina também se mostra caro demais para a realidade financeira da maior parte da população, de forma que restam as opções que eu citei.

– Exercícios físicos são fundamentais, pois eles não fortalecem apenas os músculos, mas também ossos, tendões e ligamentos. Obviamente não se espera que alguém com osteoporose crônica se dedique a exercícios de alto impacto. No entanto, é importante realizar alguma forma segura de atividade física.

– Da mesma forma, tomar sol pela manhã ou no fim da tarde é um hábito essencial para a obtenção de vitamina D, que por sua vez ajuda no processo de renovação óssea. Por fim, é essencial evitar a utilização de tapetes, degraus ou quaisquer situações que possam provocar tombos a pessoas de idade mais avançada. Também há que se ter cuidado com a hipotensão postural (queda de pressão momentânea, quando alguém se levanta rápido demais).

Quando consideramos que são raros os casos de osteoporose capazes de causar fraturas espontâneas, compreendemos que cuidados desta natureza podem ajudar bastante a reduzir as chances de alguma ocorrência.

– No entanto, se pensarmos de forma ainda mais abrangente, o ideal seria que a osteoporose fosse evitada desde os primeiros anos de vida, quando o indivíduo tem a oportunidade de formar ossos fortes através da alimentação e da prática de exercícios. E então, a partir dos 30 anos, quando começa a existir uma tendência de redução na substância óssea, as medidas de tratamento deveriam ser levadas adiante.

– Para reduzir os efeitos desta doença, portanto, a melhor solução de longo prazo seria uma reeducação populacional que trouxesse a osteoporose para a pauta de discussões de jovens e adolescentes, muito antes dos primeiros sintomas serem sentidos. Para que fosse mais eficiente, o cuidado com os ossos deveria ser tomado ao longo de toda a vida.

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