MLP recebe a exposição “Jorge Amado e Universal”: Um olhar inusitado sobre o homem e a obra

A exposição Jorge Amado e Universal, que faz parte das comemorações oficiais pelos cem anos do escritor, chancelada pela Fundação Casa de Jorge Amado, está aberta ao público desde o último dia 17 de abril, no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo.

A mostra traz fotografias, objetos, folhetos de cordel, filmes, entre outros itens. Parte do conteúdo nunca foi vista pelo público.

A realização é da Grapiúna e da Fundação Casa de Jorge Amado, em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura do Governo de São Paulo e o Museu da Língua Portuguesa. O desenvolvimento e organização é da Nacked & Associados Mercado Cultural. A direção geral é de William Nacked. Ana Helena Curti responde pela coordenação geral de conteúdo, e Daniela Thomas e Felipe Tassara pela expografia.

Com acervo pertencente à Fundação Casa de Jorge Amado e à família do célebre escritor, entre outros, Jorge Amado e Universal fica até 22 de julho na capital paulista, seguindo para o Museu de Arte Moderna da Bahia – de 10 de agosto a 14 de outubro de 2012. A exibição nestas cidades conta com patrocínio do Banco Santander.

Estão previstas ainda montagens de Jorge Amado e Universal em mais oito capitais no Brasil, como Recife, Rio de Janeiro e Brasília, e pelo menos duas cidades no exterior – Buenos Aires está na rota da exposição.

Sobre a exposição

A mostra está dividida em módulos distintos, cada um deles dedicado a um aspecto marcante na vida do autor. “Não tivemos a pretensão de esgotar nem a biografia, nem a criação ficcional de Jorge Amado. A ideia é fornecer pistas, sugerir caminhos, para que o visitante fique instigado, tenha vontade de ler e de descobrir mais depois da exposição”, explica William Nacked.

O primeiro módulo é dedicado aos personagens – dentre mais de mil nomes, nove foram escolhidos por representarem a diversidade e abrangência da obra em diversos períodos: Gabriela e Nacib (Gabriela Cravo e Canela, 1958), Dona Flor (Dona Flor e seus Dois Maridos, 1966), Os capitães da areia (Capitães da Areia, 1937), Pedro Arcanjo (Tenda dos Milagres, 1969), Antonio Balduíno (Jubiabá, 1935), Guma e Lívia (Mar Morto, 1936), O Menino Grapiúna (O Menino Grapiúna, 1981), Santa Bárbara (O Sumiço da Santa, 1988) e Quincas (A Morte e a Morte de Quincas Berro d’Água, 1961).

Eles ganham destaque em materiais audiovisuais que ajudam a contextualizar os personagens e os livros. São datiloscritos com correções feitas à mão por Jorge Amado, ilustrações das obras, fotos que remetem ao universo dos romances e algumas curiosidades, como produtos e restaurantes que levam nomes dos personagens. Cada monitor tem também um trecho locutado da obra em questão.

Na mesma sala, uma instalação passa a ideia da verdadeira multidão de personagens principais e figurantes criados: milhares de fitas similares à tradicional do Senhor do Bonfim estão afixadas, trazendo nomes de outros cem personagens – sejam fictícios, como Tieta (de Tieta do Agreste), Florzinha (de Tocaia Grande) e Ana Mercedes (de Tenda dos Milagres); ou pessoas reais que Jorge Amado inseria na ficção, como Getúlio Vargas, Hitler e Lampião.

O segundo espaço apresenta a faceta política do autor, que chegou a ser eleito Deputado Federal por São Paulo e era comunista. O terceiro discute as misturas que, segundo Jorge Amado, caracterizam o Brasil – sobretudo a miscigenação e o sincretismo religioso.

Outro módulo é dedicado à malandragem e à sensualidade presentes em sua obra. Em seguida, uma seção apresenta a Bahia tal como foi ‘(re) inventada’ por Jorge Amado, com suas belezas e suas mazelas.

Há, ainda, espaço para depoimentos de amigos, artistas e críticos, para uma cronologia sintética da vida do escritor e para destacar sua presença internacional, entre outros aspectos.

Entre os depoimentos, falas de amigos ilustres e anônimos de Jorge Amado, pois essa era uma de suas marcas: a capacidade de transitar entre o universo erudito e o popular, entre o terreiro de candomblé e a Sorbonne.

Os áudios e vídeos mostram também a esposa Zélia Gattai e a filha Paloma Amado, que contam sobre o processo de criação de Jorge, e explicam que os personagens mandavam nele – em Dona Flor, o autor pretendia que ela fosse embora com Vadinho, mas a protagonista decidiu ficar com os dois maridos aqui na Terra. Outro destaque é o próprio Jorge Amado contando que, no curto período em que foi Deputado Federal, em 1946, conseguiu aprovar lei que garante a liberdade de culto no Brasil.

Na área dedicada ao alcance internacional, o objetivo é dimensionar para o público a imensidão de Jorge Amado no mundo com a exibição de livros publicados em diversos países – de uma capa finlandesa de Tocaia Grande a uma edição de bolso francesa de Dona Flor.

O espaço expositivo foi concebido a partir da utilização de símbolos
presentes não só na cultura baiana, mas, sobretudo, na vida e obra de Jorge Amado. A cenografia está estruturada em armações metálicas, numa referência indireta às grades de ferro que embelezam muitas casas e espaços públicos de Salvador – entre eles o Solar do Unhão e a Praça Castro Alves.

Nessa estrutura, que tem ao mesmo tempo papel construtivo e narrativo, foram inseridos símbolos e objetos em sua forma original, como garrafas de dendê, fitinhas do Bonfim com frases especiais impressas, cacau torrado, azulejos brancos e azuis à moda baiana, entre outros elementos que remetem a Jorge Amado e à Bahia.

Fotografias, objetos, folhetos de cordel, filmes, jornais históricos, charges, documentos, ilustrações, correspondências, depoimentos, objetos de uso pessoal entre outros elementos fazem parte da mostra.

A mostra ocupa todo o primeiro andar, dedicado às exposições temporárias, e também parte do segundo andar, com um espaço exclusivo para os livros de Jorge Amado e terminais com muito conteúdo sobre o autor, para o público consultar calmamente.

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