31 de outubro: Dia do Saci-Pererê

Entre os muitos personagens imortalizados pelo escritor Monteiro Lobato, está o Saci-Pererê, um menino negro de uma perna só, que possui poder mágicos devido à carapuça vermelha que traz na cabeça. Hoje, 31 de outubro, enquanto os americanos celebram seu Halloween, o Brasil comemora mais um Dia do Saci, uma homenagem à cultura local.

A data foi estabelecida em 2005, pelo Projeto de Lei 2.479/2003, como medida para resgatar a tradição do folclore nacional, cada vez mais esquecido nos livros e menos propagados, e como forma de resistência à cultura estrangeira, que está  mais presente na vida dos brasileiros. Apesar disso, multiplicam-se as festas de Halloween e o país segue escanteando seus clássicos.

Dia Mundial da Alfabetização

O Dia Mundial da Alfabetização, data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no ano de 1967, é comemorado em 08 de setembro. O principal objetivo é fomentar, em vários países, a alfabetização que não é apenas o processo de aprendizagem de ler e escrever, mas, também, um dos elementos responsáveis pelo desenvolvimento de uma nação.

Um país cuja população é alfabetizada e letrada apresenta melhores índices de desenvolvimento humano. alfabetização influi de maneira decisiva na vida das pessoas: uma sociedade alfabetizada e letrada certamente é uma sociedade melhor e mais bem organizada. Saber ler, escrever e interpretar as mais diferentes linguagens é fator essencial para o empoderamento e autoestima de homens, mulheres e crianças, energia que pode alterar os rumos de uma nação.

Esse é apenas mais um dos inúmeros motivos para que o conhecimento seja, de fato, democratizado e chegue para o maior número de pessoas, não importando questões geográficas ou sociais. Contudo, atualmente, conforme pesquisa realizada pela ONU, 781 milhões de adultos em todo o mundo não sabem ler, escrever ou contar, e cerca de 250 milhões de crianças são consideradas analfabetas funcionais, isto é, passaram pela escola, mas não conseguem compreender aquilo que leem. Esses números alarmantes apenas comprovam que o desafio de alfabetizar e disseminar o conhecimento deve ser visto como prioridade.

Fonte: Brasil Escola

Netiqueta: educação sem fronteiras

Com certeza, você já ouviu falar em regras de etiqueta – conjunto de normas convencionadas pela sociedade para ajudar o relacionamento entre os indivíduos. A Internet, que hoje já possui bilhões de usuários em todo o mundo, apresenta inúmeras vantagens e permeia diferentes níveis de comunicação. Nesse contexto surge a “netiqueta”.

A partir do momento em que o ciberespaço começou a ser compartilhado, o internauta sentiu a necessidade de adequar ao ambiente virtual as famosas regras de etiqueta estabelecidas pela sociedade ao longo dos anos.

De acordo com Julio Stutz, professor universitário, “a netiqueta vem sendo elaborada – uma vez que ela não é um conjunto fechado de sugestões – pelos internautas, para que suas interações sejam mais civilizadas ou educadas”.

Quando a relação homem-máquina-internet se torna mais habitual e complexa, torna-se oportuno criar e propagar normas de condutas, para intermediar as relações estabelecidas através de um novo meio de comunicação e informação, que se encontra em permanente transformação.

Basicamente, as regras de etiqueta para a Internet são similares às normas de educação “de praxe”, estabelecidas pela cultura ocidental.

“Ninguém gosta de pessoas falando de boca cheia, ou que interrompem as conversas dos outros. Então, muitas das regras da netiqueta são adaptações ou interpretações da etiqueta que usamos no dia a dia. Na etiqueta temos regras de como devemos interagir durante uma conversa ou em um evento social, e na Netiqueta temos regras para saber usar o e-mail de forma elegante…”, explica Julio.

O professor lembra que a Internet possui diferentes formatos de interação e que cada um deles segue regras de etiqueta distintas. Além disso, alguns, por serem muito recentes, ainda não apresentam normas específicas ou um consenso por parte de seus usuários.

Separamos algumas dicas úteis e indispensáveis para o ciberespaço:

•Trate os outros como gostaria de ser tratado;

•Lembre-se de que há uma pessoa do outro lado da sua mensagem;

•Saiba onde está e use o bom comportamento apropriado;

•Desculpe os erros de outras pessoas, especialmente os novatos;

•Mantenha sempre a calma, especialmente se alguém o insultar (ou se você achar que foi esse o caso);

•Evite usar TEXTO EM MAIÚSCULAS para ênfase – alguns usuários encaram isso como uma maneira de “gritar”;

•Não use linguagem inadequada ou ofensiva;

•Nunca envie ou encaminhe mensagens indesejadas (normalmente chamadas de spam);

•Evite discussões constantes e inflamadas ou “flame wars”;

•Verifique sua ortografia, seja conciso e envie mensagens curtas;

•Siga as mesmas regras de bom comportamento que seguiria fora da Internet;

•Use emoticons para ajudar a comunicar humor e sarcasmo e aprenda os acrônimos comuns online.

25 de julho: Dia Nacional do Escritor

No dia 25 de julho comemora-se o Dia Nacional do Escritor, data instituída em 1960 pelo então presidente da União Brasileira de Escritores, João Peregrino Júnior, e pelo seu vice-presidente, o célebre escritor Jorge Amado.

O Dia do Escritor surgiu após a realização do I Festival do Escritor Brasileiro. O grande sucesso do evento foi primordial para que, por intermédio de um decreto governamental, a data fosse instituída com a finalidade de celebrar a relevância do profissional das letras, que, infelizmente, nem sempre tem sua importância reconhecida.

O costume de ler se impregna nos hábitos de quem se apaixona pelos livros. Longe deles, não há página na internet que sacie a vontade de folhear e carregar a edição companheira. A leitura é o lazer individualizado, a possibilidade de deixar fluir a própria imaginação sem restrições e sem velocidade, ao fim da estória toma-se uma lição com interpretação única, sem hiperlinks.

Os benefícios começam a aparecer no dia a dia. A leitura alivia o estresse, aumenta o vocabulário, melhora a escrita, auxilia a memória e previne doenças que atacam o cérebro como, por exemplo, o mal de Alzheimer. Várias áreas do cérebro são ativadas no momento da leitura, esse é um exercício de manutenção que nos permite uma mente sadia e com maior poder de concentração para outras atividades.

Depois de saber um pouco mais sobre os benefícios da leitura, que tal escolher um livro ou até mesmo recomeçar a ler aquele que ficou esquecido na mesa de cabeceira. Procure um assunto que lhe interesse, esteja em um lugar confortável onde ninguém possa atrapalhar, tire esse tempo para você. Curta as páginas de um bom livro e veja como ele pode mudar seu olhar sobre as coisas. Isso é conhecimento, é sabedoria!

Evite problemas de saúde ao usar o computador

Sentar-se de frente para uma tela por longos períodos coloca o corpo e a mente sob estresse. Mas é fácil ajustar o ambiente de modo que o uso do computador se torne um prazer e não um sofrimento. Confira algumas dicas importantes para aumentar a produtividade e o conforto:

- Retire as mãos do mouse quando não o estiver utilizando, para reduzir o trabalho muscular estático;

- Use o braço, não apenas o punho, para movimentar o mouse se achar que assim é mais confortável;

- Posicione o teclado de forma que, ao digitar, seus antebraços estejam quase na horizontal e os punhos em linha reta;

- Mantenha itens que costumam ser usados, tais como o teclado e o telefone, a uma distância satisfatória.

- Modifique com frequência sua postura para reduzir a fadiga, porém, evite girar o corpo;

- Ajuste a altura do assento para que os cotovelos estejam no mesmo nível da mesa e a parte inferior das costas se encontre apoiada no encosto da cadeira;

- Disponha a tela de forma que você possa focalizá-la sem ter de se inclinar para a frente. A parte superior da tela deve se posicionar logo abaixo dos olhos;

- Se seus pés não alcançam o chão, use um apoio para pés;

- Reduza o brilho da tela para um nível agradável;

- Elimine a luz forte vinda das janelas: mude o ângulo da tela ou instale persianas adequadas.

Cinco formas de fazer backup dos arquivos

Para não correr o risco de perder arquivos e fotos preciosos, basta fazer o backup dos dados. Há muitas formas de fazer isso- algumas gratuitas, outras baratas. Basta selecionar um método que se adapte ao seu modo de trabalhar. Confira:

-Copie os arquivos para DVD-Rs (graváveis)- são baratos e oferecem 4.7 GB de armazenamento. Discos DVD-RWs (regraváveis) são um pouco mais caros, mas podem ser reutilizados, o que os torna mais flexíveis;

-Transfira os arquivos para um HD externo. Escolha um drive que seja tão grande quanto o disco rígido do computador para que você copie logo todos os arquivos. Você pode arrastar manualmente os arquivos e soltá-los para, então, copiá-los, ou usar um software de backup;

-Use um software de backup para copiar o conteúdo do disco rígido para o externo. Você pode baixar versões gratuitas ou pagas deste tipo de software, as quais oferecem diferentes graus de sofisticação. Algumas permitem que você programe backups automáticos de arquivos selecionados ou irão atualizar somente os arquivos que foram alterados desde o último backup. Um software de backup é atualizado com frequência- procure na Internet para encontrar as versões mais recentes;

-Use um backup remoto em nuvem. Ele copia os arquivos selecionados(que podem ser criptografados para garantir privacidade) via web para um centro de dados seguro. Você precisará de uma conexão de internet para que isso funcione. Em geral, é um serviço de assinatura. No entanto, às vezes, é oferecido pelos provedores sem qualquer custo. Use-o para armazenar seus dados mais valiosos;

-Baixe grátis um programa de “backup social”. Aqui, seus dados são armazenados no computador de um amigo ou de um membro da família. Em contrapartida, os dados desta pessoa são guardados no seu. Tudo é criptografado.

Educação sexual: orientação e diálogo

Quando a orientação e diálogo constantes fazem toda a diferença na vida e saúde sexual dos indivíduos

Em um mundo marcado pela banalização sexual, alta erotização e exploração da imagem da mulher em diferentes esferas da sociedade, é preocupante a constatação da carência de ações voltadas à educação sexual de crianças e jovens, assim como do despreparo de muitos pais e professores perante o tema.

Mas por que o sexo ainda é encarado por tanta gente, de diferentes culturas, como um tabu, apesar de tanta exposição? De que maneira uma questão tão importante e inerente ao ser humano pode, ainda, ser alvo de tanto preconceito e distorções?

O retrocesso observado hoje nas diversas manifestações do comportamento sexual e na forma como o assunto é tratado tem como consequência o atual cenário de desrespeito, intolerância, incompreensão e irresponsabilidade – gravidez precoce, aborto indiscriminado, alto índice de DSTs entre jovens e adultos, machismo, disseminação da AIDS, homofobia, promiscuidade, transtornos sexuais, exploração sexual, pedofilia, prostituição, etc.

E em meio a tantos problemas, os pais ficam sem saber ao certo o que fazer, qual postura adotar diante de situações peculiares, e como imperar sobre a mídia, que, constantemente, massacra a todos com imagens e apelos sexuais dos mais diversos – explicitamente e, também, de maneira implícita e, nem por isso, menos manipuladora.

A psicóloga, terapeuta de família e sexóloga Maria de Fátima Leite Ferreira chama a atenção para a crescente ausência de valores, como a ética e a moral, na sociedade como um todo, o que seria a principal razão para os problemas enfrentados hoje no que concerne à educação sexual. “Observo que muita gente discursa sobre as novas configurações familiares como se nestas o caráter, os valores não estivessem mais inclusos. Todos podem e devem acompanhar as mudanças, manter-se atualizado sem descartar princípios básicos e fundamentais como o caráter, os valores éticos e morais, que devem prevalecer sempre.”

Maria de Fátima leite Ferreira

Educar é um processo que tem início com o nascimento, logo, a educação sexual precisa estar em comunhão com a educação fornecida pelos pais ou responsáveis, da mesma maneira que deve ser integrada nas escolas desde o princípio.

“A educação sexual tem início no nascimento da pessoa e é uma coisa que a acompanha até a morte. Desde que você nasce, a forma como sua mãe, seu pai, as pessoas mais próximas lidam com você, com o seu corpo, as demonstrações de carinho, o afeto, vão o ensinando a entrar em contato com essa liberdade. Durante toda a sua vida, você está constantemente se educando acerca da sua sexualidade”, explica Maria de Fátima.

Sendo assim, a forma como os pais lidam com a própria sexualidade e aprenderam a lidar com ela, vai fazer toda a diferença na maneira como eles vão transferi-la aos filhos. “A atitude dos pais ou responsáveis perante ações e curiosidades das crianças sobre o sexo é que farão toda a diferença. Geralmente, por volta dos 4, 5 anos de idade, elas começam a conhecer o próprio corpo, a se tocar, a mostrar curiosidade sobre o assunto, e caso sejam reprimidas de forma severa, podem ficar traumatizadas por muito tempo e encarar o sexo como algo perverso, como pecado, e ter sérios problemas na vida adulta em suas relações mais íntimas. Se o pai e a mãe encaram com naturalidade, a criança também vai achar natural e, assim, essa questão não irá aguçar tanto a sua curiosidade e ela vai vivenciar essa fase naturalmente”, esclarece a profissional.

SEXUALIDADE

Ao contrário do que muitos acreditam, o conceito de sexualidade não se refere apenas ao ato sexual e ao sistema reprodutor, trata-se de algo muito mais abrangente. A Organização Mundial da Saúde definiu-a como “uma energia que nos motiva a procurar o amor, contato, ternura, intimidade, que se integra no modo como nos sentimos, movemos, tocamos e somos tocados; é ser sensual e ao mesmo tempo sexual, ela influencia pensamentos, sentimentos, ações e interações com os outros e, por isso, influencia também a nossa saúde física e mental.”

Em suma, a sexualidade engloba: a identidade sexual(masculino/feminino); os afetos e a autoestima, isto é, os sentimentos em relação a si mesmo e aos outros e também em relação a todas as mudanças do próprio corpo, etc; todas as alterações físicas e psicológicas ao longo da vida; conhecimento da anatomofisiologia do sexo feminino e masculino; higiene na puberdade; gravidez, parto, maternidade e paternidade; os métodos contraceptivos; as doenças sexualmente transmissíveis.

SEXO X RELIGIÃO

Ao se esboçar qualquer opinião sobre religião, não tem jeito, a polêmica está garantida. Contudo, cabem algumas reflexões sobre a temática em questão e sua influência na educação sexual de muitos indivíduos.

Por muito tempo, a Igreja tratou o sexo como pecado e, ainda hoje, não apenas o catolicismo, mas também outras religiões tratam o assunto com muitas reservas e esboçam conceitos que contradizem com a realidade. Ao afirmar, por exemplo, que não se deve fazer uso de preservativos, ou de qualquer outro contraceptivo, indiscutivelmente, está se colocando em risco a saúde de milhares de fieis. Além disso, os jovens fazem uso de suas referências – familiar, escolar, religiosa etc – ao tomar atitudes e adotar comportamentos.  Sendo assim, ele vai se deparar com a contradição: de um lado, a divulgação de que o uso do preservativo é a maneira mais eficaz de não se contrair DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) e AIDS, e de se evitar a gravidez indesejada; de outro lado, a afirmação de que “… não se pode resolver (o problema da AIDS) com a distribuição de preservativos… pelo contrário, a sua utilização agrava o problema”, como já declarou, por exemplo, o Papa Bento XVI, em março de 2009.

“Qualquer coisa que limite o ser humano, que tente colocá-lo dentro de uma fôrma, não é saudável. Tudo que vira uma rigidez, uma imposição, é ruim. A orientação e a prevenção são as melhores formas de se evitar a gravidez na adolescência, assim como as DSTs e a AIDS. Acredito que as crenças religiosas não devem ser confundidas com outras questões”, opina Maria de Fátima.

ESTEREÓTIPOS

Hoje, o que se vê é a massificação de estereótipos de beleza e de comportamento, que, nas entrelinhas, tem propagado o preconceito perante aqueles que, de uma forma ou de outra, não se encaixam nos atuais padrões estéticos e comportamentais, estampados em capas de revistas, outdoors publicitários, idealizados em músicas, filmes, na cultura como um todo.

“A própria mídia contribui maciçamente para o ideal de beleza, por exemplo, ao vender imagens de pessoas belas, sem nenhum defeito aparente; a saúde física tem sido muito associada à estética, a um corpo magro, sarado, quando, na verdade, a beleza é um todo, um conjunto de fatores e a graça toda está justamente na diferença, nas particularidades de cada um”, diz a psicóloga e sexóloga.

A sociedade tem se apegado demasiadamente à aparência, aos bens materiais, em detrimento dos valores mais nobres do homem como o caráter, o intelecto, a moral. É aí que a família, principalmente, deve atuar em prol da manutenção dos valores, através de muito diálogo, orientação e acompanhamento permanente na educação de seus filhos.

Quando o diálogo fica difícil e os pais sentem dificuldade em lidar com o assunto, a melhor saída é procurar ajuda profissional. Ser moderno e atualizado, não é sinônimo de permissividade.

Educação Sexual

Quando a orientação e diálogo constantes fazem toda a diferença na vida e saúde sexual dos indivíduos

Em um mundo marcado pela banalização sexual, alta erotização e exploração da imagem da mulher em diferentes esferas da sociedade, é preocupante a constatação da carência de ações voltadas à educação sexual de crianças e jovens, assim como do despreparo de muitos pais e professores perante o tema. Mas por que o sexo ainda é encarado por tanta gente, de diferentes culturas, como um tabu, apesar de tanta exposição? De que maneira uma questão tão importante e inerente ao ser humano pode, ainda, ser alvo de tanto preconceito e distorções?

O retrocesso observado hoje nas diversas manifestações do comportamento sexual e na forma como o assunto é tratado tem como consequência o atual cenário de desrespeito, intolerância, incompreensão e irresponsabilidade – gravidez precoce, aborto indiscriminado, alto índice de DSTs entre jovens e adultos, machismo, disseminação da AIDS, homofobia, promiscuidade, transtornos sexuais, exploração sexual, pedofilia, prostituição etc.

E em meio a tantos problemas, os pais ficam sem saber ao certo o que fazer, qual postura adotar diante de situações peculiares, e como imperar sobre a mídia que, constantemente, massacra a todos com imagens e apelos sexuais dos mais diversos – explicitamente e, também, de maneira implícita e, nem por isso, menos manipuladora.

A psicóloga, terapeuta de família e sexóloga Maria de Fátima Leite Ferreira chama a atenção para a crescente ausência de valores, como a ética e a moral, na sociedade como um todo, o que seria a principal razão para os problemas enfrentados hoje no que concerne à educação sexual. “Observo que muita gente discursa sobre as novas configurações familiares como se nestas o caráter, os valores não estivessem mais inclusos. Todos podem e devem acompanhar as mudanças, manter-se atualizado sem descartar princípios básicos e fundamentais como o caráter, os valores éticos e morais, que devem prevalecer sempre.”

Maria de Fátima leite Ferreira

Educar é um processo que tem início com o nascimento, logo, a educação sexual precisa estar em comunhão com a educação fornecida pelos pais ou responsáveis, da mesma maneira que deve ser integrada nas escolas desde o princípio.

“A educação sexual tem início no nascimento da pessoa e é uma coisa que a acompanha até a morte. Desde que você nasce, a forma como sua mãe, seu pai, as pessoas mais próximas lidam com você, com o seu corpo, as demonstrações de carinho, o afeto, vão o ensinando a entrar em contato com essa liberdade. Durante toda a sua vida, você está constantemente se educando acerca da sua sexualidade”, explica Maria de Fátima.

Sendo assim, a forma como os pais lidam com a própria sexualidade e aprenderam a lidar com ela, vai fazer toda a diferença na maneira como eles vão transferi-la aos filhos. “A atitude dos pais ou responsáveis perante ações e curiosidades das crianças sobre o sexo é que farão toda a diferença. Geralmente, por volta dos 4, 5 anos, elas começam a conhecer o próprio corpo, a se tocar, a mostrar curiosidade sobre o assunto, e caso sejam reprimidas de forma severa, podem ficar traumatizadas por muito tempo e encarar o sexo como algo perverso, como pecado e ter sérios problemas na vida adulta em suas relações mais íntimas. Se o pai e a mãe encaram com naturalidade, a criança também vai achar natural e, assim, essa questão não irá aguçar tanto a sua curiosidade e ela vai vivenciar essa fase naturalmente”, esclarece a profissional.

SEXUALIDADE

Ao contrário do que muitos acreditam, o conceito de sexualidade não se refere apenas ao ato sexual e ao sistema reprodutor, trata-se de algo muito mais abrangente. A Organização Mundial da Saúde definiu-a como “uma energia que nos motiva a procurar o amor, contato, ternura, intimidade, que se integra no modo como nos sentimos, movemos, tocamos e somos tocados; é ser sensual e ao mesmo tempo sexual, ela influencia pensamentos, sentimentos, ações e interações com os outros e, por isso, influencia também a nossa saúde física e mental.” Em suma, a sexualidade engloba: a identidade sexual(masculino/feminino); os afetos e a autoestima, isto é, os sentimentos em relação a si mesmo e aos outros e também em relação a todas as mudanças do próprio corpo etc; todas as alterações físicas e psicológicas ao longo da vida; conhecimento da anatomofisiologia do sexo feminino e masculino; higiene na puberdade; gravidez, parto, maternidade e paternidade; os métodos contraceptivos; as doenças sexualmente transmissíveis.

SEXO X RELIGIÃO

Ao se esboçar qualquer opinião sobre religião, não tem jeito, a polêmica está garantida. Contudo, cabem algumas reflexões sobre a temática em questão e sua influência na educação sexual de muitos indivíduos.

Por muito tempo, a Igreja tratou o sexo como pecado e, ainda hoje, não apenas o catolicismo, mas também outras religiões tratam o assunto com muitas reservas e esboçam conceitos que contradizem com a realidade. Ao afirmar, por exemplo, que não se deve fazer uso de preservativos, ou de qualquer outro contraceptivo, indiscutivelmente, está se colocando em risco a saúde de milhares de fieis. Além disso, os jovens fazem uso de suas referências – familiar, escolar, religiosa etc – ao tomar atitudes e adotar comportamentos.  Sendo assim, ele vai se deparar com a contradição: de um lado, a divulgação de que o uso do preservativo é a maneira mais eficaz de não se contrair DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) e AIDS, e de se evitar a gravidez indesejada; de outro lado, a afirmação de que “… não se pode resolver (o problema da AIDS) com a distribuição de preservativos… pelo contrário, a sua utilização agrava o problema”, como declarou o Papa Bento XVI, em março de 2009.

“Qualquer coisa que limite o ser humano, que tente colocá-lo dentro de uma fôrma, não é saudável. Tudo que vira uma rigidez, uma imposição, é ruim. A orientação e a prevenção são as melhores formas de se evitar a gravidez na adolescência, assim como as DSTs e a AIDS. Acredito que as crenças religiosas não devem ser misturadas, confundidas, com outras questões”, opina Maria de Fátima.

ESTEREÓTIPOS

Hoje, o que se vê é a massificação de estereótipos de beleza e de comportamento, que, nas entrelinhas, tem propagado o preconceito perante aqueles que, de uma forma ou de outra, não se encaixam nos atuais padrões estéticos e comportamentais, estampados em capas de revistas, outdoors publicitários, idealizados em músicas, filmes, na cultura como um todo.

“A própria mídia contribui maciçamente para o ideal de beleza, por exemplo, ao vender imagens de pessoas belas, sem nenhum defeito aparente; a saúde física tem sido muito associada à estética, a um corpo magro, sarado, quando, na verdade, a beleza é um todo, um conjunto de fatores e a graça toda está justamente na diferença, nas particularidades de cada um”, diz a psicóloga e sexóloga.

A sociedade tem se apegado demasiadamente à aparência, aos bens materiais, em detrimento dos valores mais nobres do homem como o caráter, o intelecto, a moral. É aí que a família, principalmente, deve atuar em prol da manutenção dos valores, através de muito diálogo, orientação e acompanhamento permanente na educação de seus filhos.

Quando o diálogo fica difícil e os pais sentem dificuldade em lidar com o assunto, a melhor saída é procurar ajuda profissional. Ser moderno e atualizado, não é sinônimo de permissividade.

Por Luísa P. Toledo (Jornalista e Pedagoga)

Educação e Novas Tecnologias

Quando se fala em educação, muita gente a associa, ainda nos dias de hoje, com aquele padrão de ensino convencional em que o aluno é um mero receptor de informações e conceitos, repetindo fórmulas prontas e deixando as discussões e conclusões para o professor.

Contudo, de uns tempos pra cá, tal modelo ou “fórmula” de ensino-aprendizagem vem sofrendo transformações cruciais, em parte devido à ascensão e onipresença das novas tecnologias, que promovem, quando bem utilizadas, uma maior interação entre os educadores e estudantes, além de novas possibilidades de ensino ao professorado.

As Novas Tecnologias, por sua vez, já fazem parte da vida de muitas pessoas, independentemente da classe social, e mesmo que indiretamente, ao permear todos os setores da vida moderna. Mesmo naquelas escolas em que tais tecnologias ainda não se fazem presentes, tanto os alunos quanto os professores estão cientes da sua importância e influência na contemporaneidade. E, inclusive, tal convicção e consciência de que as NTICs (novas tecnologias de informação e comunicação) já são uma realidade e estão inseridas no cotidiano de muitos indivíduos, geram novos questionamentos e inquietações por parte de todos os atores sociais envolvidos no cenário da educação.

Além disso, muitos alunos e docentes fazem uso das novas tecnologias, principalmente da Internet, fora do perímetro escolar, ou seja, transferem o conteúdo educacional para além das fronteiras escolares e o utilizam mediante as NTICs.

As novas tecnologias têm contribuído para mudar os meios de ensino não somente dentro da sala de aula, através de ferramentas como o retroprojetor, datas-show, DVDs, ou do próprio computador, entre outros, mas, também, está alterando a própria sala de aula, a partir do momento em que é colocado em prática o ensino a distância.

Inicialmente, o ensino em domicílio, aquele por correspondência, era incentivado pelos correios tradicionais; em seguida, foi a vez do rádio. Os discos de vinil, assim como as fitas “K-7” também tiveram seu espaço, até o surgimento dos CDs, juntamente com a televisão e o vídeo, o que facilitou ainda mais essa forma de ensino. Hoje, é a vez da Internet, que graças a sua característica multimídia, aparece com uma variedade quase infinita de possibilidades.

Para Allan Breder, publicitário e professor universitário, é muito positiva a participação da Internet como ferramenta de acessibilidade. “A tecnologia, quando bem utilizada, encurta as distâncias e dinamiza os processos educacionais. O maior desafio é encontrar um meio termo entre o imediatismo provocado pelas novas NTICs e um aproveitamento, além do aprofundamento dos conteúdos. Através da Internet, sinto que todos sabem um pouco sobre muitas coisas e raramente possuem um conhecimento mais profundo sobre algo. É uma superficialidade que às vezes me preocupa”, comenta o docente.

Pesquisas comprovam que os jovens passam muitas horas em frente ao computador, porém, a dedicação ao estudo, à pesquisa, ao conhecimento, é mínima. A maior parte do tempo é dedicada às relações, mais precisamente aos sites de relacionamento. A grande maioria dos jovens lida melhor com relações a distância do que numa conversa onde o interlocutor esteja ao alcance dos olhos e das mãos.

Em relação aos pais e a maioria dos profissionais de educação, acontece uma adaptação à linguagem. É uma realidade geracional mais facilmente adaptável aos nativos digitais do que aos imigrantes tecnológicos. Os jovens de hoje já nasceram regidos por esta tecnologia.